nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


setembro 21, 2002  

A síndica do meu prédio é gente que faz. Obras e mais obras. Há uns 3 meses, armou uma operação gigantesca só pra dar um banho aqui no edifício Guaratuba. Fiquei sem poder apreciar a vista dos prédios da frente, porque tudo foi coberto por um pano estranho. De manhã, acordava com os cabras conversando na minha janela. Eles usavam uns jatos de super ultra pressão plus pra limpar a fachada. Um dia, jogaram aquilo na caixa guardadora de persiana que fica sobre a janela e fizeram uma cachoeira de água marrom-preta descendo pela parede do meu quarto, desembocando bem na minha estante de livros. A coisa toda durou um mês.

Agora, a nova invenção foi instalar um desses sensores de movimento no hall do elevador, onde antes ficava o interruptor de luz. Eu estou chegando em casa, abrindo a porta do elevador já com a mão preparada pra bater no interruptor e, pá, a luz acende sozinha. Abro a porta do apartamento pra sair, já condicionada a me dirigir até o interruptor e, pá, a luz acende sozinha. Me sinto uma inútil.

É essa a grande ambição do homem muderno, não precisar mais mexer nenhuma parte do corpo? É pra eu achar legal essas matérias sobre a casa inteligente do futuro, onde todas as portas são abre-te sésamo? Ah, não. Eu quero girar minha própria maçaneta e apertar meu próprio interruptor, obrigada. Vou criar o MDTCDT – movimento em defesa do tato contra dispositivos tecnológicos. Mas só se o MVVS – movimento pela volta à vida selvagem – não emplacar, claro.

mais um chororô de bel seslaf