nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


setembro 30, 2003  

trilha sonora involuntária

entra megafone Delícia caseira! Doce caseiro a um real A CAIXA! É um real A CAIXA de doce! Uma delícia! Doce de leite, doce de coco, paçoquinha, doce de banana, geléia, torrone, doce de goiaba e doce de abóbora. A um real A CAIXA! É uma delícia caseira! entra corinho infantil Doce, doce, doce / a vida é um doce / vida é mel repete tudo Delícia caseira! Doce caseiro a um real A CAIXA! É um real A CAIXA de doce! passam-se duas horas Doce, doce, doce / a vida é um doce / vida é mel eu busco um machado pela casa, não encontro Geléia, torrone, doce de goiaba e doce de abóbora. É uma delícia caseira. A um real A CAIXA! Um real A CAIXA!

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setembro 19, 2003  

um post amoroso

Bopla foi ao ortopedista e descobriu que tem pé cavo. Bopla voltou pra casa e ligou para a Salvapé a fim de encomendar uma palmilha.

- Alô, é da Salvapé?
... Vocês fazem planilha, tsc, palmilha?
... Eu tenho pé calvo... cavo!
... Calço 42.
... Onde fica essa loja?
... Ah.
... E o palmiteiro atende aí? Tsc, palmilheiro.
... Quanto custa uma palmilha?
... Depende? Mas é na região de dez ou mil reais?
... Ah, 36 reais.
... Então tá, obrigado.

Bopla irá ao palmiteiro na segunda-feira para fazer uma planilha. E eu hei de acompanhar Bopla, porque ele está ficando senil.

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Isabel downgraded to tropical depression

Deu na CNN, não fui eu que falei.

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setembro 18, 2003  

A caminho do banco, andando meio quarteirão, tive que dizer não a sete entregadores de panfletos, uma cigana agarrou meu braço, um hare krishna apertou minha mão, um sujeito mugiu pra mim.

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setembro 17, 2003  

Ei, irmã, lembra quando a Salon fez a crítica do livro que você deveria ter escrito? Pois hoje ela fez a do meu. O que eu faço da minha vida agora que já escreveram Loser Goes First, um livro de memórias que a Salon apelidou de "in praise of miserable failure"?* Ó vida, ó azar, nada mais me resta. Eu já desisti de escrever O Grande Tomo do Tímido porque daria muito trabalho e sei que o Manual do Pequeno Ateu nem acharia mercado. Acabou-se o meu potencial editorial.

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setembro 16, 2003  

Em dias assim, nem banhos de imersão em água de melissa dão jeito.

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setembro 15, 2003  

relatório de trabalho
piada interna


Que bobagem sentimentalóide. (this word does not exist)

Quáquáquáquáquáquáquáquáquá!

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setembro 13, 2003  

Pra mim, vida, vida mesmo, é o que têm os viajantes, os aventureiros, a equipe do National Geographic. Quem sai por aí explorando vulcões, observando gorilas, escalando montanhas, sem casa e sem posses. Este é o único estilo de vida que se justifica.

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Minha irmã a mais pequena topou com uma das minhas ex-amigas de infância em Brasília e veio me contar uma história engraçada. Depois da ex-amiga fazer uma festinha de reconhecimento pra minha irmã, encaixando várias vezes a palavra 'pirralha' no cumprimento, ela disse que eu, nervocalm gotas, nunca mais falei com ela só porque ela me contou que tinha experimentado maconha, isso lá pelos idos dos nossos 14 anos. A graça dessa história não é bem o fato de isso nunca ter acontecido, mas a evidência de que cada um de nós passa por esta vida com idéias as mais equivocadas sobre o comportamento alheio. Pois se eu até agora achava que era ela quem nunca mais tinha falado comigo porque eu não era cool enough.

Eu não acredito muito nessa coisa de entender e ser entendido, e reconheço que não faço muito esforço, nem num sentido nem no outro. Mas poder ser mal-interpretada - nas minhas intenções, quero dizer - me dá muito medo. E isso deve acontecer toda hora por aqui, por escrito. Bopla, quando me conheceu por escrito, disse que me imaginava uma punk raivosa, cheia de piercings e vestida de preto, falando mal da vida. Por algum motivo, muito do que eu escrevo rindo é lido como se fosse uma patada mal-humorada. Mas não é. Podem acreditar.

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setembro 11, 2003  

e mais uma vez invejando...

Out of college, money spent
See no future, pay no rent
All the money's gone
Nowhere to go

Any jobber got the sack
Monday morning, turning back
Yellow lorry slow
Nowhere to go

But oh, that magic feeling - nowhere to go
Oh, that magic feeling - nowhere to go
Nowhere to go

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setembro 10, 2003  

Que diacho foi isso do blogger sumir com os sobrenomes das assinaturas? Quem foi que deu intimidade pra ele me chamar só de Bel? Tive de colocar esse traço feioso no meu nome pra ele poder ficar completo. Mas que cocô. "Everything just change much too much", é o que o cara do meu filme devia dizer. Mudanças me deprimem. Surpresas me apavoram.

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setembro 09, 2003  

minhas previsões apocalípticas para são paulo

Em 10 anos . Tendo em vista o estado dos parques municipais após cada fim de semana e feriado, a prefeitura decide transformá-los no que eles já são de fato: depósitos de lixo. Para aumentar a área útil dos aterros, todas as árvores são derrubadas.

Em 15 anos . O paulistano precisa viajar 112km para ver o gramado mais próximo. Quem pode se esforça para levar a família pelo menos uma vez por ano.

Em 20 anos . O paulistano precisa viajar 129km para ver o gramado mais próximo. No que ficava a 112km da capital, foi construída mais uma obra de Oscar Niemeyer, obedecendo o decreto-lei 10.240 que determina que o metro quadrado de cultura vale mais que o metro quadrado de grama.

Em 30 anos . Não há mais um único espaço em branco nas paredes, fachadas, muros, calçadas e ruas da capital. Demonstrando grande espírito empreendedor, os pichadores e grafiteiros erguem um teto cobrindo toda a cidade para lhes servir de tela. O paulistano levará em média 2,3 anos para notar que o céu sumiu.

Em 35 anos . Ao atravessar um quarteirão, o paulistano médio passa por 124,8 entregadores de panfletos e aceita 68% dos papéis que lhe oferecem. Destes, 97,3% são imediatamente descartados: 0,8% na lixeira mais próxima e 99,2% no chão.

Em 40 anos . O paulistano caminha diariamente pelas ruas com o lixo batendo nos joelhos, mas nem por isso atrasa o passo.

Em 45 anos . A cidade finalmente entra em colapso.

Em 50 anos . Os cidadãos finalmente percebem que a cidade entrou em colapso. Chega a notícia de que há uma grande área de mata virgem a 300km da capital. Todos os então 90 milhões de paulistanos se mudam de mala, cuia, andaime, britadeira, panfleto, tinta spray, garrafa plástica e bituca de cigarro pra lá. É fundada a Vila de São Fredo. São Paulo vira a maior cidade-fantasma do mundo.

Em 100 anos . Gente do mundo inteiro vem contemplar a carcaça de São Paulo e dela tirar lições de vida. Enquanto isso, São Fredo não pára de crescer.

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setembro 08, 2003  

Aqui no lar dos Seslaf de Zumasáenz nós não temos uma rotina muito comum: não trabalhamos fora, não temos carro e só vamos aonde os pés e o metrô alcançam, isso quando saímos de casa. Mas fizemos um programa atípico no último sábado e eu pude sentir o gostinho ilógico e hiperbólico da vida na cidade grande. Foi assim:

Perplexed Productions presents - O cinemark

Cena 1, a bilheteria
Foi a primeira vez que estive num desses mega-complexos de cinema de shopping center. Antes eu era da turma do "não fui e não gostei"; agora eu finalmente tenho argumentos pra evitá-los para tooodo o sempre. De cara, a bilheteria parece um aeroporto, com monitores de tv mostrando qual filme está pra pousar e qual filme já está na pista. Por algum motivo que eu não vou procurar entender, essa informação não fica ali paradinha num só monitor pra você ler, não. Ela fica piscando e brilhando e saltando sem parar em 8 telas azul-espasmódico, para o seu melhor conforto. Embaixo dos monitores ficam as criaturas antigamente conhecidas como 'bilheteiras' e que hoje em dia precisam fazer treinamento na Nasa pra operar a cápsula espacial onde trabalham. Na frente da cápsula, fica o curral: um caminho demarcado que você tem que percorrer pra poder comprar o ingresso. Estranhamente, quase ninguém que chega vai entrando de uma vez no curral; todos se aglomeram em volta dele e hesitam como boi medroso por cerca de um minuto e meio antes de se decidirem.

Cena 2, o baleiro
Provavelmente há uma palavra nova pra designar os antigos baleiros, mas eu ando mesmo desatualizada. É que, no passado, baleiros eram balcões discretos na entrada dos cinemas onde você comprava mentex, confeti e caramelos-caramelos-caramelos-caramelos nestlé. Hoje, o mentex são vários, o confeti foi devorado pelo m&m, os caramelos-caramelos já não existem e o balcão, que só falta fazer transações bancárias internacionais, é bem mais extenso que a tela do cinema. O Pablo foi lá e pediu o menor suco que tivesse; era de meio litro. Pipoca, só nos tamanhos balde, barril e contêiner. Compramos jujubas.

Cena 3, as salas
São 11, até onde eu contei. Pra chegar até elas, você tem que percorrer um verdadeiro labirinto. Eu tenho certeza de que muita gente já se perdeu por ali e nunca mais foi encontrada. No caminho acarpetado, estilo Las Vegas, vários monitores de tela plana piscam e berram neuroticamente os próximos lançamentos que você não pode perder, não pode perder, não pode perder. Por sorte, conseguimos vencer todos os obstáculos e chegar ainda conscientes à sala 9, que estava quase vazia e assim permaceceu. Na certa, muitas das pessoas que compraram ingresso pra sala 9 foram ficando pelo caminho; ou perdidas no labirinto, ou hipnotizadas diante dos monitores coloridos, ou afogadas na sua coca-cola média de 2 litros, vá saber.

Cena 4, a saída
O planejador do cinemark seguiu à risca o Manual Prático da Perversidade Comercial aqui. Você sai do cinema direto para uma escada sinuosa, dentro de um corredor apertado que você não sabe onde vai dar, e é forçado a descer lance após lance interminavelmente, já tomado pela angústia. De repente, as portas da esperança se abrem e você desemboca bem no centro na praça de alimentação. Mas que arapuca! Meu conselho é: olhe pra baixo, saia correndo até a escada-rolante mais próxima e não pare até chegar na rua. Aí, eles não vão mais poder te pegar.

Cena 5, o estacionamento
Apesar de morarmos a poucos metros de uma estação de metrô e do shopping em questão ficar em cima de uma outra, o nosso acompanhante quis ir de carro. "Por que vocês não compram um carro?", todos me perguntam. "Com carro você pode passear, viajar, ir pra onde quiser, quando quiser. Carro é liberdade." Arrã. Saímos do cinema com um pouco de fome, mas não podíamos comer no shopping porque 1) não compactuaríamos com a perversidade descrita na cena 4 e 2) se ficássemos mais 5 minutos ali dentro, o dono do carro teria de pagar mais de 5 reais de estacionamento, e ele estava muito tenso com essa perspectiva. Cogitamos esticar num restaurante, mas não podia, não tinha estacionamento. Sugerimos uma lanchonete, mas não dava, não tinha lugar pra parar. Nas calçadas, os pedestres se davam ao luxo de escolher em qual dos muitos restaurantes abertos terminar a noite. Mas o bastião da liberdade, esse seguiu direto pra casa.

Tá todo mundo doido, credo.

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setembro 05, 2003  

Se tem uma coisa que me diverte é ouvir gente que se acredita alvo ou vítima da inveja alheia. Parece que esse discurso anda cada vez mais em voga. Invejados autodenominados pipocam, em seus pedestais ameaçados, enquanto eu dou muita risada espantada.

Não que eu não acredite em inveja, vejam bem. Eu sou uma invejosa de marca maior. Eu gasto horas e horas da minha vida olhando os prédios em volta e invejando cada janela iluminada que não a minha. Eu invejo todo mundo que se veste esquisito, eu invejo todo mundo que responde rápido, eu invejo quem está na rua quando eu estou em casa e invejo quem está em casa quando eu estou na rua.

E é justamente por ser invejosa que eu digo a quem se sente invejado: minha gente, deixa disso, baixa a bola. A inveja pouco ou nada tem a ver com o invejado. Ela é apenas um exercício de autopiedade e rabugice do invejoso. Uma compulsão, eu diria. O invejoso não quer o que você tem, nem torce pra que você perca o que tem; ele simplesmente precisa lamentar a injustiça de não ter igual. E não passa disso. Olha que quem vive os dias a se remoer de inveja não tem energia pra sair por aí fazendo mandinga, lançando mau-olhado, rezando pro seu fracasso, não. Nem sobra tempo pra isso.

Portanto, amigo invejado, se alguma coisa fedeu e desandou na sua vida, não vá logo culpando a turba de tentar depor o rei. O invejoso não está de olho no seu trono, já que o dele está bem garantido no reino dos eternos insatisfeitos compulsivos. No fundo, o invejoso é só mais um egocêntrico chavão. É seu irmão, invejado. Não é em torno de você que ele gravita. Mas, ó, não vá se abalar com isso também, hein?

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setembro 04, 2003  

Eis a minha história: o que era pra vir tarde veio cedo e o que era pra vir cedo chegou tarde. Já estou no fim dos 20 e só agora entrei na fase do por quê. O dia inteiro é "mas por que isso? mas como aquilo? mas por que, jesus, por quê? eu não entendo, eu não entendo!" Pff. Isso já está ficando cansativo. Nem eu agüento mais os meus espantos. Perguntadeira como se tivesse 2, esgotada como se tivesse 100. Aposto que a outra lá, a derradeira, essa vai chegar tarde, só pra me contrariar. Ai como eu queria que uma bigorna caísse na minha cabeça. Ai como eu queria ser muda.

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Há exatamente um ano eu abri esta lojinha com o intuito de ir correr atrás do carteiro, already! Um ano, e eu continuo mais plantada que nunca atrás da janela. Parabéns para mim, nesta data querida.

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setembro 02, 2003  

Toda noite é a mesma coisa. Eu bem que tento ficar bem informada assistindo ao Jornal da Grobo, mas a Anapaula Patrão, a Âncora Cocota, desvia a minha atenção. Como é que eu vou me concentrar na notícia da suspensão dos deputados petistas ou do incêndio do prédio em Taiwan se, antes de começar a anunciar cada reportagem, ela sempre vira pra câmera com uma olhadela sensual de canto de olho? Não dá. Quando dou por mim, ela já está dando seu boa noite lascivo, que começa num sussurro e termina num risinho, e só me resta ler a Folha do dia seguinte.

Que maçada. À noite, entre a notícia e eu, há a cara de "me come" da Patrão. Bom, deve ser por isso que o Jornal da Grobo passa tão tarde: é um jornal x-rated. Colocaram a Âncora Cocota nesse horário pra competir com a Monique Evans. Mas nessa roubada eu não caio mais, não. Vou é mudar pro canal do Roberto Cabrinho, que também é ruinzinho, mas pelo menos não tenta me seduzir.

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setembro 01, 2003  

Preciso escrever sobre o meu fim de semana em Parati.
Preciso terminar dois bosts que já deviam ter vindo pra cá.
Preciso dar um jeito nessa josta.

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