| nervocalm gotas (vol.1) |
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junho 30, 2003 Quando eu fazia jornalismo, brincava que se, numa hipótese absurda, eu um dia fosse trabalhar de âncora de televisão, estabeleceria no meu contrato que jamais usaria batom rosa. Meu novo trabalhinho é tranqüilo mas, se numa hipótese absurda, eu pudesse rejeitar serviços que me provocam náuseas, eu deixaria bem claro que não faço filmes que têm como personagem o presidente dos Estados Unidos. mais um chororô de bel seslaf junho 26, 2003 Eu não vejo problema nenhum com o ditado "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Ele não é hipócrita, é apenas realista. mais um chororô de bel seslaf junho 25, 2003 Aqui em Samplixo andam discutindo a construção ou não, no parque do Ibirapuera, de mais um grande auditório sem janelas da lavra de Oscar Niemeyer. O auditório seria parte de mais um complexo monumento inteiramente pavimentado do arquiteto, previsto no plano original do parque. A construção já foi vetada duas vezes, para indignação da prefeita e da elite artístico-cultural paulistana. Argumentos de quem é contra o auditório: vai cortar árvores; diminuir a área verde e a área permeável do parque; aumentar o fluxo de carros na região, que já é pesado; São Paulo precisa de mais verde, não de mais concreto. Argumentos de quem é a favor: o auditório é obra do Diviníssimo Oscar Niemeyer, seus néscios!; não abram a boca pra falar besteira, seus plebeus!; fiquem quietos na sua ignorância, seus seres arquitetonicamente prejudicados!; esse povinho não merece mesmo um monumento de tal grandeza, essa ralé!; que absurdo! Eu, de cá, já tomei partido. E como nasci e morei 24 anos em Brasília, acho que meu voto devia valer por dois. mais um chororô de bel seslaf junho 23, 2003 Vi o filme Psicopata Americano e fiquei impressionada com o ator principal. Nunca vi um ator representar tão fidedignamente um personagem baseado na vida real. A postura sempre empertigada (ou seria empedernida?), o olhar vidrado, quase demente, os mal-contidos gestos de afetação, o egocentrismo, a vaidade, a megalomania, o suor na testa, os gritos com a secretária. Esse cara merece o Oscar pela interpretação irretocável... do meu ex-patrão. É incrível. Passei meses e meses tentando diagnosticar a gama de transtornos psíquicos da figura e a resposta estava o tempo todo na locadora. Meu ex-patrão é o Psicopata Americano. Tudo bem, não teve graça pra vocês. Mas pra mim, foi quase uma terapia do riso. Recomendarei para todos os meus ex-coleguinhas, que também hão de se impressionar. mais um chororô de bel seslaf junho 20, 2003 Está certo que eu sempre tive um talento todo especial pra distorcer as coisas até que caibam direitinho no que me interessa. É por isso, inclusive, que eu gosto de literatura: literatura é matéria-prima para distorções. Mas, mesmo assim, eu às vezes penso que o resto do mundo é que está louco, não enxergando o que me parece ser tão claro. Eu já falei aqui do Fausto do Goethe, por exemplo. Sempre me incomoda ver o livro resumido como “a história do homem que vende a alma ao diabo para ter tudo com que sempre sonhou”, quando, na verdade, esse Fausto aceitou um acordo proposto pelo diabo só pra provar que não sonhava e não queria e não gostava de nada. Foi pura birra. Pois bem. Também me incomoda abrir o guia da Folha toda sexta e dar de cara com o cartaz da peça Alice no país das maravilhas, que só traz um close da atriz caracterizada, de braços abertos e com um sorrisão. Isso não me parece certo. Isso é até injusto. A Alice pode até dar título à história, mas não devia ser o personagem de destaque. Todos os outros – a rainha, o gato, o chapeleiro, a tartaruga – têm algo de novo a dizer, menos ela. Ela é só o fio condutor, assim como a Clara, do Quebra Nozes (essa é pra quem teve que fazer balérg). A Clara é considerada o personagem principal, e o que ela faz? Passa todo o segundo ato sentadinha, assistindo aos outros dançarem. Como ela, a Alice só assiste aos outros brilharem. As pessoas costumam se referir ao livro como “a história de uma garotinha muito curiosa etc”. É o oposto. A Alice não é nada curiosa: ela é de um ceticismo ímpar; resiste a absolutamente tudo que lhe falam; e, no meio de um mundo nonsênsico, consegue manter uma sensatez inabalável. De um jeito ou de outro, ela sempre tenta impor ou restabelecer a ordem. Se começam a dizer absurdos, ela interrompe, desmente, argumenta e, quando vê que não vai conseguir botar juízo na cabeça daqueles desvairados, ela se cala num silêncio orgulhoso de quem sabe que está com a razão. A Alice é a dona da verdade e, mesmo topando com bichos falantes e cartas de baralho pintoras, ela não aceita, em nenhum momento, que está num mundo em que as regras que conhece e respeita não se aplicam. Ela continua insistindo no que é certo, continua pensando no que é “proper”. Custo a acreditar que o Lewis Carroll quis fazer da Alice uma representante da lógica infantil que, dizem, ele tanto admirava. Pois eu acho que a Alice é o único adulto da história. E um adulto chato, ainda por cima. Naquele jogo, ela não só se recusa a brincar, como tenta impedir os outros de se divertirem. Que criança, num “país de maravilhas”, se manteria tão sizuda e tão turrona? Certamente não uma garotinha curiosa. Eu adoro Lewis Carroll, leio e releio esse livro, mas não adoro o personagem Alice. O que interessa nela é seu papel de contraste: ela serve apenas pra mostrar como todos os outros personagens da história são originais, geniais e hilariantes. ps. Pensando bem, há um outro adulto na história: o coelho. O coelho estressado e neurótico, sempre de olho no relógio pra não perder o compromisso. E foi seguindo o coelho que Alice se meteu nessa. mais um chororô de bel seslaf junho 10, 2003 Que nervocalm que nada. Eu preciso é de pastilhas voluntex. Ou de não acordrim mais de vex. mais um chororô de bel seslaf Eu também faço googlismo. apathy is in the air apathy is the order of the day apathy is lethal apathy is not an option apathy is what keeps the nation together apathy is so passé apathy is back in style apathy is your friend apathy is acceptable apathy is the result of corporate influence apathy is the warm glow of nothingness apathy is a deliberate positive philosophy apathy is no excuse for failure apathy is very bad! apathy is a right apathy is liberty apathy is forcing the bees to play away apathy is the mother's milk of tyranny apathy is the glove in which evil slips its hand mais um chororô de bel seslaf junho 06, 2003 Definitivamente, eu não nasci pra trabalhar. Alguém aí tem uma cabana vaga nas imediações de Coquinhos do Sul pra me arrendar? Eu prometo tomar conta direitinho e enviar de quando em quando alguns limões. Obrigada. mais um chororô de bel seslaf Como eu não estou escrevendo mais nada mesmo, e também em homenagem ao meu livro abortado, vou colar aqui pra vocês o hino do livreiro, que eu compus quando trabalhava na livraria. Foi uma época muito fértil. Ele não tem fim, embora vá só até o número 14 (essa frase é uma piada interna if i ever saw one). Bem, eu poderia continuar agora, mas não ficaria com o mesmo tom enfastiado de meio de expediente dos 14 versos originais. Quem quiser, pode ir continuando nos comentários. É pra ser cantado com a melodia de "Um elefante incomoda muita gente" 1 romance incomoda muita gen-te 2 novelas incomodam muito ma-ais 3 livros de poesia incomodam muita gen-te 4 tomos filosóficos incomodam muito ma-ais 5 compêndios psicanalíticos incomodam muita gen-te 6 códigos jurídicos revisados incomodam muito ma-ais 7 títulos de auto-ajuda incomodam muita gen-te 8 autores esotéricos incomodam muito ma-ais 9 manuais de aromaterapia floral do dr. bach incomodam muita gen-te 10 como-se-dar-bem-no-casamento-e-enlouquecer-ele-na-cama incomodam muito ma-ais 11 bíblias do autocad incomodam muita gen-te 12 leis do marketing direto interpessoal incomodam muito ma-ais 13 brochuras de microbiologia comparada incomodam muita gen-te 14 dicionários de provérbios e citações greco-latinas incomodam muito ma-ais 15 ... mais um chororô de bel seslaf junho 02, 2003 Afinal, qual é o propósito evolutivo do cabelo no sovaco? mais um chororô de bel seslaf |
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