nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


fevereiro 28, 2003  

bizarrices de minha vida

Ontem eu estava lindamente andando pela Paulista ao cair da tarde, com meu amigo sr. Láudano, quando mais uma vez tive minha paz perturbada por um sujeito, que dessa vez queria me vender algum acessório neo-hippie de fabricação própria. Nem falando “obrigada, mas não, obrigada” ele se deu por vencido, e fez questão de se colocar de pé na minha frente, olhando pra não sei o que, enquanto seu Láudano falava no orelhão.

Eu daria todos os reinos e cavalos do mundo pra poder andar na rua sem ser perturbada por sujeitos. Já me cantaram Raul Seixas, já me pediram em casamento, já me sussurraram baixarias, e todos arruinaram meu dia, meu passeio, meus pensamentos tão interessantes a caminho do banco. É em volta desses bichos que eu gostaria de fazer círculos de detergente. Em cima deles eu espirraria baygon sem dó.

Pois o resto do passeio de ontem, pelo menos até a estação do metrô, eu passei em pavor de encontrar o pior dos sujeitos, com quem eu já tinha topado na mesma avenida em fins de tarde parecidos. Esse é um babão com cara de Seu Madruga que ficava me olhando pela vitrine da livraria e um dia entrou pra perguntar se eu não queria comprar calcinhas. Sortuda que eu sou com sujeitos, já topei com esse na rua por duas desafortunadas vezes desde então. E o pior é que é só me ver, e ele se põe a berrar “ainda vou te dar aquelas calcinhas!”.

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 26, 2003  

Acabei de ver o filme O Pianista, do qual tirei as seguintes conclusões:

1. Por melhores que sejam, todos os filmes de holocausto são iguais. Viu um, viu todos.

2. Quem carrega um daqueles canivetes suíços de mil e uma utilidades por onde vai não deveria ser considerado jeca.

3. A arte ainda redime personagens de filmes.

4. Os alemães, com sua preocupação eugênica, deviam mais é ter transformado o tal pianista em reprodutor. Depois de ter passado fome, frio, sede e doença, ter escapado de porrada, chicotada, emboscada, tiro, bomba e pé torcido, ter se safado de encontros com o inimigo e de uma última grande cagada, chegando são e salvo ao último ano da guerra que matou 50 milhões de pessoas, e ainda por cima tocando piano feito um possuído, fica claro que os genes desse cara eram a nata da nata. Não tem como não reconhecer isso.

mais um chororô de bel seslaf
 

O ócio, o sono, os pré-sonhos...

"Then blessings on thee, my afternoon torpor,
Thou makest a prince of a mental porpor."
ONash

mais um chororô de bel seslaf
 

O meu apartamento é a melhor moradia da cidade para aranhas e formigas. Não há predadores aqui. Aqui, elas vivem em paz, sem a constante ameaça do baygon e da chinelada. E sempre há migalhas de pão espalhadas para elas comerem e bagunça suficiente para se sentirem à vontade em qualquer uma das dependências. De fato, meu apartamento é tão convidativo, que acho que elas andaram escrevendo para toda a parentada de São Paulo e região recomendando que se mudem.

As formigas, pelo menos, já tomaram conta da casa, e a população aumenta a cada dia. Eu entro na cozinha de manhã e já digo bom-dia pra elas. Eu as salvo das pequenas poças de água que se formam no balcão. Eu limpo ao redor da torradeira desviando delas, tomando cuidado pra não arrastá-las com as migalhas. E quando eu encontro uma formiga andando perdida pela sala ou pelo quarto, eu a faço subir na minha mão e a levo de volta à cozinha, para junto da família.

As aranhas são mais misteriosas, aparecem e desaparecem. Eu adoro aranhas, elas são impressionantes. Por isso eu estou encantada com a mudança definitiva para o meu apartamento de uma dupla delas: a mãe, que se pendura na porta da cozinha, e a filha, que se pendura na porta do banheiro. Como esses são os locais com maior ocorrência de traças, acho que as aranhas não saem dali tão cedo. As traças andam mesmo desaparecidas, as coitadas. E por elas eu nunca tive grande simpatia.

...

Ah, claro. Também convivo muito bem com as duas moscas de banana que se mudaram recentemente para o meu banheiro. Elas são muito quietinhas, as moscas de banana, cada vez paradas em um azulejo diferente. Eu não sei o que elas estão fazendo ali, uma vez que eu não guardo bananas no banheiro. Mas elas parecem viver muito tranqüilas, da pia pra parede, da parede pro chuveiro.

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 25, 2003  

grandes momentos cartunescos

“Verbing weirds language.”
Calvin

“A preguiça é a mãe de todos os vícios.
Mas mãe é mãe, é preciso respeitá-la, pronto.”

Filipe

“Fusilli, you bastard! How are you?”
Rigattoni

mais um chororô de bel seslaf
 

Tinha muito tempo que eu não recebia trabalhos com uma certa regularidade, por isso eu sumi um pouco. Ainda estou me acostumando com os novos horários e afazeres. Ontem foi um dos dias mais saudáveis que tive nos últimos anos: acordei cedo, trabalhei, cumpri meu prazo, li por várias horas e ouvi música. Acho que hoje posso voltar a fazer nada e passar horas na internet, como de costume. Amanhã vem mais coisa pra fazer.

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 20, 2003  

Deu na Folha de hoje:

Sentimento anti-França cresce nos EUA: "alguns restaurantes rebatizaram as batatas fritas, antes chamadas de french fries, e hoje conhecidas como freedom fries".

Bwa-ha-ha.

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 14, 2003  

É que já tem tanta gente dizendo, que eu acho mais fácil arrumar vaga entre os que não dizem.

mais um chororô de bel seslaf
 

Meus pensamentos percorreram intrincados caminhos ontem, enquanto eu lavava a louça, e de lembrar do quanto eu dormia sobre a carteira no fundão da sala do terceiro ano, e do quanto eu escrevia "eu odeio física" na apostila de física enquanto a minha amiga Josi cortava o braço e limpava o sangue sobre a inscrição, e de quando ela me disse um dia que um cara lá já tinha me visto no guará, e na cara de "eeeeeu?! no guaráááá?!" que eu devo ter feito, e no quanto eu me senti horrível pelo resto da vida por esse momento de preconceito abjeto e pequenez, eu acabei reconhecendo uma questão filosófica que muito me aflige: a questão dos duplos.

Era só isso mesmo.

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 12, 2003  

Vai chover filme na minha conta bancária.

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 11, 2003  

Eu odeio spam, odeio spammer, não é novidade, eu já disse. Mas tem um spam em especial, que eu recebo de vez em quando, que até me faz rir. Eu, inclusive, o denuncio rindo. É o spam da psoríase. Sim, é o spam que vende remédio pra psoríase. O fim da psoríase!, é o nome.

Eu imagino que o número de pessoas sofrendo de psoríase seja realmente tão monumental que justifique essa estratégia de divulgação. Sim, porque os spams que prometem aumentar pinto só atingem 50% de potenciais interessados; os que prometem empréstimos fáceis, rápidos e indolores atingem, talvez, um pouco mais; mas o da psoríase... O da psoríase, puxa, deve ter um retorno de quase 100%.

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 06, 2003  

Eu decidi que a única coisa que pode atenuar meu spleen agora que estou sem remédicos é o besteirol.

Silly saves! 100% Silly!
Property of the Almighty Silly, agora em sabor limão!

Vou ler horas de nonsense por dia. Rever todos os programas do Monty Python, repetindo "mais... où est le bagage? où sont les voyagers?" feito uma matraca. Cantar as músicas do Rocky Horror toda noite, seguindo os sábios ensinamentos de Frank N. Furter. Jogar rébus. Fazer rébus. Conversar com Bopla.

Sim, eu hei de melhorar com este método. Ainda que eu não resolva nada.

mais um chororô de bel seslaf
 

“You know nothing about it and the best thing you can do is to emigrate and improve your mind.”

Virginia Otis to the Canterville Ghost

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 05, 2003  

jesus, misifí de deus

Sei não, mas vendo pelos vários programas falaqueutescuto que proliferam pela noite na tv, eu acho que os evangélicos botam é muita fé na pomba-gira e no preto-velho. Sempre tem uma novelinha pra mostrar como a macumba destrói vidas e até mesa-redonda eles organizam pra discutir o poder nefasto das cumbucas de farofa. Parece que deus não está fazendo muito bem o seu trabalho de velar pela família, não. Se com macumba nem ele pode... O que eu não entendo, então, é o seguinte: se os evangélicos querem tanto erradicar a macumba do Brasil, por que eles não fazem logo um 'trabalho'? Seria batata.

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 04, 2003  

On why yours is a happy birthday

'Twas February four when She
came first, to wait for future Me.
Me thanks the heavens every day
for having been She's protegée.
Me's sis is worth a thousand mates,
and this is what Me celebrates.

(with love to Môlhio)

mais um chororô de bel seslaf


fevereiro 02, 2003  

Dificilmente me desfaço das coisas: guardo todos os meus rabiscos de rostos, diários passados cheios de melodrama, meu tamanduá de saia kilt, discos horríveis do sonic youth que nunca mais vou ouvir, os cacos da caneca do castelinho caracol, cartões com fotos que não me interessam, um monte de coisas inúteis, fora as lembranças. Mas, quando se trata de gente, eu sou partidária do "deu defeito? joga fora". I'm a quitter e só estou mesmo procurando uma boa lixeira onde me enfiar.

...

Foi-se o meu senso de humor. Capufffff.

mais um chororô de bel seslaf