| nervocalm gotas (vol.1) |
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outubro 17, 2002 Estou estranhando um pouco. O nervocalm só era lido por gente conhecida, até que a menina má falou bem dele no dela. Aí vocês apareceram nos comentários, pessoas novas. Eu estranhei, sim. Elesbão e tudo mais. E se vocês forem ficar, bem que podiam mandar um e-mail de apresentação, especialmente se forem gentes de Brasília que já passaram pela minha vida, talvez. Depois do primeiro grau, eu nunca mais tirei foto de final de ano na escola, não badalava perto da cantina no recreio, nunca apareci em festas, não fui às formaturas - aliás, acho que o meu nome nem constava da lista de formandos de jornalismo do segundo semestre de 99, cujo convite não recebi, nunca nem vi. Por não deixar registro, eu sempre pensei que, no futuro, seria como se eu nunca tivesse existido. E se algum ex-colega tivesse qualquer memória nebulosa sobre mim, ia ter que creditá-la àquelas horas de sono sobre a carteira. Eu não deixei, mas vivo procurando registros deixados por ex-colegas, no google, na mirabilis. Outro dia achei uma ex-amiga de infância numa foto de coluna social, entre outras representantes da juventude dourada brasiliense. Eu a conheci quando passei a estudar de manhã, na terceira série. Cheguei toda tímida no primeiro dia de aula, sem conhecer ninguém, e a professora me levou pra uma carteira bem no meio da fila do meio. Do lado, uma menininha branquela, magrela, estava tirando o material da pasta e arrumando sobre a mesa de uma forma impressionante: a régua retíssima no topo, o estojo de comprido no canto esquerdo, a caixa de lápis de cor ocupando exatamente o mesmo espaço no canto direito, tudo milimetricamente medido e impecável. Eu pensei “essa menina vai ser a minha primeira amiga”, e foi. Era a Ana Paula Valatino Tolendares. Eu ia na casa dela, ela ia na minha, os pais dela tinham trinta e poucos, os meus, quarenta e alguns, eu sentia vergonha. Fomos ver Namorada de Aluguel no cinema, apesar da mãe dela ter achado que era filme de putaria. Atravessamos a Casa do Terror do Park Shopping, e ela foi mais corajosa que eu. Ficamos juntas até a oitava série, já com outras cinco agregadas. No segundo grau, mudamos pro mesmo colégio, mas aí tudo degringolou, como, aliás... Bem, não nos falávamos. Ela ficou largadona. Eu a vi uma vez andando com o olhar perdido pela UnB, onde, acho, ela não estudava. Nunca mais. Até, claro, vê-la muito bem penteada, vestida e maquiada numa foto do Gilberto Amaral. Que será que aconteceu com a Ana Paula? Oki doki, me perdi totalmente neste texto. Depois falo do quanto eu me espanto com os novos comentários. mais um chororô de bel seslaf |
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