nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


outubro 04, 2002  

Minha irmã me escreveu sobre um grave dilema que anda enfrentando: ela não consegue decidir o que gostaria de ver escrito em sua lápide. É um problema. E por isso vamos propor um exercício-enquete aqui no nervocalm. Mas primeiro deixa eu falar de mim.

Não foi nada difícil decidir o que eu escreveria na minha própria lápide: o meu nome, só. Se eu morrer antes dos 30, então também gostaria de colocar as datas de nascimento e morte, que fica romântico. Quem estiver passeando no cemitério vai ler e se perguntar sobre o motivo de uma moça ter morrido tão jovem, vai conjecturar e fantasiar, e logo minha vida terá sido interessantíssima. Se eu morrer velha, é melhor omitir as datas. Mesmo porque, depois de tanto alardear meu provável suicídio, eu não quero ver ninguém rindo do meu fracasso.

Antes de continuar, quero lembrar que não fui eu que comecei! Quem mandou, sis, cutucar meu assunto preferido? Agora vou ter que falar de todos os meus planos para a morte – "a minha morte / que vem porque eu quero", já falava o Zaratustra. É que eu tenho uma curiosidade comichante* e uma resoluta exigência pra quando eu passar desta pra melhor (taí um ditado popular que faz sentido).

A curiosidade, que já foi mais aguda, é saber com que roupa eu seria enterrada se morresse hoje. Já perguntei várias vezes pra minha família, porque tinha um desejo genuíno de saber que roupa eles escolheriam. Meu guarda-roupa é tão pouco apropriado, tênis sujos, blusinhas adidas. Ao mesmo tempo, se me botassem num vestido todo branco e diáfano, não seria eu naquele caixão! Mas a família sempre se recusou a aplacar minha dúvida. Tudo que ouvia era ‘deixa de besteira, menina!’. Vou morrer sem saber.

A exigência, e esta é seríssima, é não ter nenhuma manifestação religiosa no meu funeral. Já tá todo mundo avisado: nada de vela, padre, reza, missa de sétimo dia. Seria muito desrespeitoso para com a defunta. Além de trabalhoso, claro. Se alguém burlar o meu pedido, serei obrigada a vir puxar o pé dessa pessoa todas as noites, o que vai acabar com o meu descanso eterno.

Agora, eu e Camila queremos saber de vocês.

É o concurso de lápides do nervocalm.
Escreva a sua e ganhe um pirapito de cereja
e uma foto autografada do Dr Kevorkian.
Escreva djá.

*a palavra comichante não existe, mas era exatamente o que eu precisava dizer.

mais um chororô de bel seslaf