| nervocalm gotas (vol.1) |
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outubro 24, 2002 O primeiro emprego que eu tive na vida foi aos 24 anos, depois de formada e com dois meses de São Paulo. Eu não tinha idéia do que fazer pra achar um emprego - hoje eu tenho a idéia, mas continuo sem o jeito - nem sabia que emprego procurar. Estava de mal do jornalismo, não queria saber. Pensava em entrar numa editora, mas sabia que ia levar tempo. Eu achava que precisava começar a ganhar dinheiro logo, rápido, senão seria o fim do mundo e eu sofreria humilhações as mais terríveis. Minha relação com o dinheiro não é das mais saudáveis. Acabei batendo em portas de escolas de inglês. Uma delas me chamou pra treinamento. O coordenador do curso era um sujeito bacana, competente, que eu passei até a admirar nos meses em que trabalhei ali. Eu tentava encarar tudo da forma mais positiva possível; aceitei todos os conselhos de sorrir sempre, ser simpática, não falar baixo, etc, etc. Depois de duas semanas de treinamento, com simulações de aula e tudo mais, o coordenador me ofereceu o primeiro aluno. Fiquei apavorada, mas satisfeita. E então ele me disse: "Sabe, quando eu li a sua prova e vi que você tinha uma boa pronúncia e um bom conhecimente de inglês, eu já sabia que você ficaria com a gente. Mas na primeira vez em que você foi ao quadro pra apresentar uma aula, eu fiquei preocupado. Era como se a sua luz interior estivesse apagada". Minha luz interior, vêem? Apagada. E aí, de vez em quando, bate essa tristeza que só deitar no escuro com a cabeça encostada no rádio consola, e a Antena 1 sempre passa aquela música turn on your heart liiiight / let it shiiiine whereeeever you goooo / let it make a happy glooow / for aaaall the world to seeeee, e eu fico remoendo memórias desse calibre. mais um chororô de bel seslaf |
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