nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


outubro 02, 2002  

título desta redação: minhas fúteis indignações

Eu tenho umas implicâncias gozadas. Me irrito, por exemplo, quando gente comum erra a melodia na hora de cantar. Uma nota que seja já me põe reclamando e corrigindo a coitada da pessoa. Não suporto que se desvie a melodia. Também detesto quando adaptam o gênero cantado ao gênero do cantor, proibindo uma mulher de cantar pra uma mulher, um homem pra um homem, não importando como a música foi originalmente escrita. É ridículo. ElE já não gosta mais de mim / mas eu gosto delE mesmo assim? Que pena. Não.

Pouca coisa me dá tanta gastura quanto ouvir alguém soltando aquela pérola do "que seja eterno enquanto dure". Sim, porque como se não bastasse recorrer a um clichê e a um poetinha, quem repete este verso sempre erra, e troca infinito por eterno. É um deslize lógico que eu simplesmente não posso engolir. Todas as vezes em que eu ouço isso – e como eu ouço isso! – eu bufo e resmungo e brigo "como é que pode ser eterno se tem prazo de duração?! argh!". Brigo com a televisão, com o rádio, o jornal. Quem está perto ri de mim.

Mas é que realmente tem coisas que a gente não pode aceitar nessa vida. Outro dia, vi na televisão uma garota dizendo que tinha gostado muito do Fausto do Goethe, que "é a história de um homem que vende a alma ao diabo pra ter tudo que sempre quis". Ah, não. Não, não, não, não. Finco a pata bestial aqui. O Fausto, justamente, não queria nada. Duvidou que o Mefistófeles fosse capaz de mostrar grande coisa pra ele. Só perderia a tal da alma se finalmente parasse e admitisse "Oh... isso foi legal". E agora vem um programa adolescente querendo vender pras novas gerações a idéia de que esta é mais uma história do bon-vivant ambicioso em busca de poder? Vê se eu teria passado noites e noites em claro com este livro por um roteirinho chinfrim desse. Não deixo. Qualquer que tenha sido o final da história, o Fausto vendeu a alma ao diabo só pra provar que a vida é uma merda, e disso eu não abro mão.

...

A minha implicância mais típica é mesmo com as palavras. Tem umas que eu não uso, não processo, não aceito. É que eu sou propensa ao humptydumptying – pra mim, as palavras só significam o que eu sinto que elas significam. Tá, o que eu quero.

mais um chororô de bel seslaf