nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


novembro 13, 2002  

Vi um filme do Walter Hugo Khoury outra noite no canal Brasil, sem saber que era dele. O WHK é um sujeito gozado, cuja grande fantasia é ser o senhor de um harém. Todos os filmes dele são mais ou menos sobre isso. Neste, o Antônio Fagundes é um sujeito milionário, claro, que vive numa puta casa sensacional, claro, e tem um filho pré-púbere, em estado catatônico desde a morte da mãe. Na casa também vivem a governanta possessiva do Fagundes, a namorada ciumenta do Fagundes e a moça lindíssima e diáfana que cuida do filho do Fagundes. Closes, troca de olhares.

O filme quer ser fraudiano, imagine a desgraça. A moça coloca o menino na cama, ela está de lingerie, ele pensa na mãe morta, ela está de camisola, a moça sorri, o menino baba, tenho a impressão de que ele está perpetuamente excitado. It’s quite disturbing. O menino também fantasia com uma pedra do jardim – a pedra e a mãe, a mãe e a pedra. Aí a moça dança diante da pedra com um sorriso ambíguo. O menino baba com um olhar ambíguo. O Fagundes observa com uma idéia ambígua. Troca de olhares.

Então aparece a filha mais velha. Ela chega de uma longa temporada no exterior e vai entrando em casa com uma cara lasciva. Closes. A namorada olha a filha com ciúme. A filha olha a moça com ciúme. A governanta olha todos com ciúme. O menino está com uma ereção de novo, santodeus. É muito rasteiro.

No final, o Fagundes coloca na cabeça que ele e o filho são um só; que a moça é a única que consegue se comunicar espiritualmente com o menino babão; que, para curar o menino, é preciso completar essa comunicação com um conversê carnal; e que ele pode muito bem cuidar dessa parte. Ou seja, ele quer comer a moça como o filho, pelo filho e para o filho. Então ele entra no quarto escuro onde dormem os dois, em cama separadas, pelo menos. Ele olha para o filho com amor. Ele olha para a moça com desejo. Deita em cima dela. Beijos. O menino abre os olhos assustado. Close na pedra. Sobem os créditos.

No que deve ter de gente por aí achando esse filme profundíssimo eu nem quero pensar.

mais um chororô de bel seslaf