nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


novembro 08, 2002  

A vontade de escrever, o mesmo nada que dizer, esse luto de não ser brilhante, todo dia, todo dia, que chatice. Vou ter que digitar coisas dos outros de novo pra acalmar os dedos. Já disse – tenho a impressão de já ter dito tudo - que os meus dedos são o meu calmante? Em todos os sentidos. É, nesse aí também. Pra dormir, eu tamborilo os dedos no colchão. No escuro eu não roo as unhas. Eu gosto de ver a minha comida.

Meus dedos são meio tortos. Será que todos os dedos são meio tortos? Acho provável. Eu gosto de comparar os dedos iguais nas mãos diferentes pra fazer casais - polegar com polegar, médio com médio, mindinho com mindinho, etc. É que o jeito como eu deixo as unhas em cada um deles dá uma cara mais masculina pra um e mais feminina pro outro quando eu os coloco juntos. Bom, é uma impressão que eu sempre tive. É, não faz nenhum sentido.

Eu gosto da minhas mãos. Eu gosto das veias nas minhas mãos. Fico empurrando elas pra lá e pra cá. E também gosto das veias nos meus calcanhares, que são mais finas, parecem uma bacia hidrográfica. Sempre gostei de colorir mapas no colégio. Eu desenho por cima das veias, das linhas das mãos, e desenho muito nos joelhos também. Joelho é uma palavra engraçada. Os meus são escuros. Acho que é porque eu caí de joelho no cascalho uma vez quando tinha uns 5 anos. Mas isso também não faz sentido. Meus cotovelos também são escuros e eu nunca caí de cotovelo no cascalho. O que aconteceu é que um colega de escola uma vez bateu com o balanço na minha testa, e eu sempre achei que era por isso que eu tinha dor de cabeça. Minha cabeça também é meio torta. Será que todas as cabeças são meio tortas? Acho provável.

Não sei se releio o Cioran ou recomeço o Pickwick.

mais um chororô de bel seslaf