| nervocalm gotas (vol.1) |
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fevereiro 26, 2003 O meu apartamento é a melhor moradia da cidade para aranhas e formigas. Não há predadores aqui. Aqui, elas vivem em paz, sem a constante ameaça do baygon e da chinelada. E sempre há migalhas de pão espalhadas para elas comerem e bagunça suficiente para se sentirem à vontade em qualquer uma das dependências. De fato, meu apartamento é tão convidativo, que acho que elas andaram escrevendo para toda a parentada de São Paulo e região recomendando que se mudem. As formigas, pelo menos, já tomaram conta da casa, e a população aumenta a cada dia. Eu entro na cozinha de manhã e já digo bom-dia pra elas. Eu as salvo das pequenas poças de água que se formam no balcão. Eu limpo ao redor da torradeira desviando delas, tomando cuidado pra não arrastá-las com as migalhas. E quando eu encontro uma formiga andando perdida pela sala ou pelo quarto, eu a faço subir na minha mão e a levo de volta à cozinha, para junto da família. As aranhas são mais misteriosas, aparecem e desaparecem. Eu adoro aranhas, elas são impressionantes. Por isso eu estou encantada com a mudança definitiva para o meu apartamento de uma dupla delas: a mãe, que se pendura na porta da cozinha, e a filha, que se pendura na porta do banheiro. Como esses são os locais com maior ocorrência de traças, acho que as aranhas não saem dali tão cedo. As traças andam mesmo desaparecidas, as coitadas. E por elas eu nunca tive grande simpatia. ... Ah, claro. Também convivo muito bem com as duas moscas de banana que se mudaram recentemente para o meu banheiro. Elas são muito quietinhas, as moscas de banana, cada vez paradas em um azulejo diferente. Eu não sei o que elas estão fazendo ali, uma vez que eu não guardo bananas no banheiro. Mas elas parecem viver muito tranqüilas, da pia pra parede, da parede pro chuveiro. mais um chororô de bel seslaf |
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