| nervocalm gotas (vol.1) |
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abril 11, 2003 Eu conheci figuras interessantes quando trabalhava na livraria. Além dos meus coleguinhas, que são boas pessoas, alguns clientes estarão pra sempre na minha memória afetiva: os velhinhos que gostavam de mim, o americano que queria passar sua última noite em São Paulo com um livro e muitas cervejas, o professor de filosofia que planejava pra mim uma carreira de bancária de meio-período pra que eu aproveitasse o resto do tempo lendo Epicuro, alguns outros velhinhos de quem eu gostava... E ela, a terapeuta reichiana que quis devolver um Alberto Caeiro porque o editor tinha cortado o "menino Jesus" do poema. Achei que ela estava certa. Ficamos chegadas. Mais de um ano se passou desde a minha demissão e hoje, de repente, ela me liga. Está se livrando de livros que não lê mais, não quer mais, e separou alguns deles pra mim. Passamos a tarde conversando - eu ouvindo mais que conversando - sobre a energia e o corpo, as amarras e o crescimento, e todas essas coisas em que eu não penso nunca. Ganhei três Kafkas, dois Sartres e um Bataille sobre Nietzsche. Ficamos de nos ligar, mas sei que vai demorar anos pra nos vermos de novo, se é que nos veremos de novo. Em toda a minha vida, eu posso contar nos dedos as vezes em que coisas assim normais me aconteceram. mais um chororô de bel seslaf |
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