nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


agosto 11, 2003  

Certa vez, um amigo veio nos buscar em casa para um programa diurno. Ele deu aquela habitual ligadinha do celular quando estava chegando pra descermos. O timing foi perfeito. Quando nós estendíamos o braço para abrir o portão, ele parou o carro na entrada da garagem. Desgraçadamente, neste exato segundo, veio chegando o fusca da Síndica, a ruiva desvairada. Naquela tranqüilidade típica de motorista paulistano em dia de folga, a Síndica saiu de seu fusca emputecida, passou por nós sem dizer nada, e pediu ao porteiro que pedisse ao nosso amigo que estava a menos 2m dela que por favor retirasse o carro. Nosso amigo chegou o carro um pouco pra frente e o fusca bufou garagem adentro. A história não acabou aí. Duas semanas depois, recebemos uma bronca oficial da imobiliária, avisando que nunca mais, nunca, nunca mais, parássemos o carro que não temos na entrada da garagem.

Mas esse mundo é mesmo engraçado.

A Síndica tem um cachorrinho desses de 20cm de comprimento por 15 de altura, cujo latido equivale a cem agulhas espetando seu ouvido beeem lá no fundo. Foi esse latido que me acordou ontem, no domingo, quando eu estava tão quentinha debaixo do meu edredon, certamente sonhando algo maravilhoso. No começo, eu nem abri os olhos, na esperança de que fosse passar logo. Mas os latidos continuaram, finíssimos, desesperados, por intermináveis minutos. Eu até pensei que fosse um cachorrinho em apuros. Eu até pensei em descer pra ir salvar o pobre coitado. Ele não parava de ganir.

Quando finalmente percebi que não havia a menor chance de eu voltar a dormir, me levantei e abri uma frestinha da janela pra ver o que estava acontecendo. E o que eu vi? Lá estava ela, a ruiva desvairada, parada na entrada do prédio da frente, fumando calmamente seu cigarrinho, enquanto o minicão se esgoelava para um outro cachorro na janela do primeiro andar e alfinetava todos os ouvidos, acordados ou não, deste e de todos os quarteirões adjacentes.

Da próxima vez em que eu topar com a Síndica, vou passar por ela sem dizer nada e pedir ao minicão que peça à sua dona que nunca mais o estacione de forma tão acintosa e provocativa na frente de outro cachorro, ou eu me verei forçada a denunciá-la para os órgãos competentes.

mais um chororô de bel seslaf