nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


setembro 09, 2003  

minhas previsões apocalípticas para são paulo

Em 10 anos . Tendo em vista o estado dos parques municipais após cada fim de semana e feriado, a prefeitura decide transformá-los no que eles já são de fato: depósitos de lixo. Para aumentar a área útil dos aterros, todas as árvores são derrubadas.

Em 15 anos . O paulistano precisa viajar 112km para ver o gramado mais próximo. Quem pode se esforça para levar a família pelo menos uma vez por ano.

Em 20 anos . O paulistano precisa viajar 129km para ver o gramado mais próximo. No que ficava a 112km da capital, foi construída mais uma obra de Oscar Niemeyer, obedecendo o decreto-lei 10.240 que determina que o metro quadrado de cultura vale mais que o metro quadrado de grama.

Em 30 anos . Não há mais um único espaço em branco nas paredes, fachadas, muros, calçadas e ruas da capital. Demonstrando grande espírito empreendedor, os pichadores e grafiteiros erguem um teto cobrindo toda a cidade para lhes servir de tela. O paulistano levará em média 2,3 anos para notar que o céu sumiu.

Em 35 anos . Ao atravessar um quarteirão, o paulistano médio passa por 124,8 entregadores de panfletos e aceita 68% dos papéis que lhe oferecem. Destes, 97,3% são imediatamente descartados: 0,8% na lixeira mais próxima e 99,2% no chão.

Em 40 anos . O paulistano caminha diariamente pelas ruas com o lixo batendo nos joelhos, mas nem por isso atrasa o passo.

Em 45 anos . A cidade finalmente entra em colapso.

Em 50 anos . Os cidadãos finalmente percebem que a cidade entrou em colapso. Chega a notícia de que há uma grande área de mata virgem a 300km da capital. Todos os então 90 milhões de paulistanos se mudam de mala, cuia, andaime, britadeira, panfleto, tinta spray, garrafa plástica e bituca de cigarro pra lá. É fundada a Vila de São Fredo. São Paulo vira a maior cidade-fantasma do mundo.

Em 100 anos . Gente do mundo inteiro vem contemplar a carcaça de São Paulo e dela tirar lições de vida. Enquanto isso, São Fredo não pára de crescer.

mais um chororô de bel seslaf