nervocalm gotas (vol.1)
nervocalm gotas (vol.1)


setembro 05, 2003  

Se tem uma coisa que me diverte é ouvir gente que se acredita alvo ou vítima da inveja alheia. Parece que esse discurso anda cada vez mais em voga. Invejados autodenominados pipocam, em seus pedestais ameaçados, enquanto eu dou muita risada espantada.

Não que eu não acredite em inveja, vejam bem. Eu sou uma invejosa de marca maior. Eu gasto horas e horas da minha vida olhando os prédios em volta e invejando cada janela iluminada que não a minha. Eu invejo todo mundo que se veste esquisito, eu invejo todo mundo que responde rápido, eu invejo quem está na rua quando eu estou em casa e invejo quem está em casa quando eu estou na rua.

E é justamente por ser invejosa que eu digo a quem se sente invejado: minha gente, deixa disso, baixa a bola. A inveja pouco ou nada tem a ver com o invejado. Ela é apenas um exercício de autopiedade e rabugice do invejoso. Uma compulsão, eu diria. O invejoso não quer o que você tem, nem torce pra que você perca o que tem; ele simplesmente precisa lamentar a injustiça de não ter igual. E não passa disso. Olha que quem vive os dias a se remoer de inveja não tem energia pra sair por aí fazendo mandinga, lançando mau-olhado, rezando pro seu fracasso, não. Nem sobra tempo pra isso.

Portanto, amigo invejado, se alguma coisa fedeu e desandou na sua vida, não vá logo culpando a turba de tentar depor o rei. O invejoso não está de olho no seu trono, já que o dele está bem garantido no reino dos eternos insatisfeitos compulsivos. No fundo, o invejoso é só mais um egocêntrico chavão. É seu irmão, invejado. Não é em torno de você que ele gravita. Mas, ó, não vá se abalar com isso também, hein?

mais um chororô de bel seslaf