| nervocalm gotas (vol.1) |
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outubro 12, 2003 Olha, se eu não me importasse tanto com clichês, eu seria muito mais tranqüila e feliz. Mas eu me importo, fazer o quê? É só ouvir um que eu já saio praguejando e resmungando comigo mesma como uma velha chata. É uma sina infernal, essa, porque clichê é uma espécie que só se reproduz. É claro que ele vai me vencer um dia. Vejam só esses dois aqui: Quando se discute virgindade (ainda se discute virgindade!), quaisquer que sejam as opiniões, tem sempre alguém pra levantar e dizer: "Mas eu respeito muito essa escolha. Acho muito bonito você se guardar e se preservar." Ah, deixa de conversa. Não é bonito porra nenhuma. Eu não respeito essa escolha. Eu acho que você tem mais é que trepar com um monte de gente de todas as cores enquanto ainda é jovem, solteiro e bem-disposto. E não é "pode", é "tem que". Este é o conselho que eu darei aos meus filhos. Quem se preserva é conserva de pepino. Segundo: discussão sobre eutanásia (e, de quebra, suicídio). Não tem um cristão que eu veja que não vá tentar, tipo assim, querer talvez dar uma opinião, mas veja bem, é só uma opinião pessoal, tá?, começando com: "Este é um assunto muito complicado." Mas que complicado, o quê? Não é complicado nada. É simplíssimo. Se você não tem direito de dispor da própria vida, oras, pra que você vai esperar ter direito de comer, dormir, votar, tirar férias remuneradas, passar no caixa preferencial do supermercado, ultrapassar o sinal vermelho de madrugada? Qual seria o sentido da vida, assim? E se o problema é decidir sobre a morte de alguém que está vegetando incomunicável, pára com essa coisa de ficar pensando "mas e se...? e se...?" Depois de morto, não tem "e se". Pois se a coisa pudesse ter outro desfecho... bem, já morreu, ninguém vai ficar sabendo. Ou por acaso acontece de, imediatamente após desligarem os aparelhos, descer um painel luminoso com um Sílvio Santos acoplado, pra anunciar e rir de tudo que a pessoa perdeu? "Ra-ráaaiiiiii! Se Fulano não tivesse morrido agora, ele teria acordado do coma daqui a dois meses, saído do hospital direto pra correr a maratona da São Silvestre, feito uma brilhante carreira científica, descoberto a cura do câncer e da unha encravada, escrito o romance do século, casado com seu grande amor, tido 5 filhos belos, saudáveis e geniais, vivido mais 19.872 dias de felicidade plena, e ganhado uma bicicleta caloi e um tênis montreal!" Ora. Controlem o proliferamento dos clichês, eu imploro, porque eu não agüento mais passar meus dias resmungando. mais um chororô de bel seslaf |
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